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Um dia não estão todos nos seus lugares.

O que era natural parecia nunca ter data para acabar. As manias tão particulares, as expressões que sabíamos de cor. Cumplicidades de rotinas partilhadas que sempre se arranja forma de contornar, com sentido de humor e criatividade.

Até ao dia em que a vida revela a sua ausência, tirando de cena, mudando cenários. Alterando guiões.

E, depois, numa vertigem alucinante, agarramo-nos como podemos ao leme das memórias. Procurando um chão que nos foge e nos procura, para que possamos criar outra via.


Andamos assim, dormindo e despertando na vertigem da vida. Porque, de facto, tudo é um sopro.


E hoje, tomo consciência que o sol brilha mais e eu posso senti-lo em cada célula. E agradeço mais do que nunca quem um dia me aqueceu a vida, moldando-a definitivamente e tornando-a mais estruturada.

Talvez o sol seja afinal a soma de todos os corações bons que um dia fizeram parte das nossas rotinas.


Um dia, antes da história ter mudado de rumo. Hoje o sol está mais quente do que nunca. Está na hora de continuar. Até o chão voltar a ser firme.