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Certo dia, liga-me um homem, com voz tranquila e simpática...

"Olá, Sofia. Por acaso faz leituras da aura a crianças de 10 anos? É possível? É que o meu filho pediu-nos uma como presente de anos!"


"Olá, Sofia. Por acaso faz leituras da aura a crianças de 10 anos? É possível? É que o meu filho pediu-nos uma como presente de anos!"



Hesitei. Nunca tinha feito até então e não sabia se não seria entediante para uma criança, tanto tempo a ouvir alguém falar de olhos fechados, mesmo que se tratassem de histórias e metáforas. Mas pedir uma leitura da aura como presente de anos, não era para ignorar. Era, no mínimo, surpreendente. Quem seria esta criança? O pai e a madrasta faziam ioga, ajudava. Sem que eu pedisse, e certamente adivinhando a minha hesitação, o pai explicou-me que o seu filho tinha uma sensibilidade especial, mas uma grande falta de autoestima e dificuldade de integração na escola. Pronto. Fiquei convencida! Marcámos a sessão! Num primeiro olhar, encontro um rapaz bonito, olhar tímido e sorriso meigo. Estava radiante para ter esta experiência. E eu, num misto de ansiedade com curiosidade e já sentindo uma enorme simpatia. Demos um "bacalhau", já que ele não me deu confiança para mais. Começou a leitura, onde as imagens que iam surgindo iam tendo reações nele, de curiosidade e surpresa. À medida que avançava, por entre imagens e sensações, fomos vivendo imensas aventuras. Convidei-o a intervir e até ouvia as gargalhadas dele, alternadas por silêncios, onde ele arrumava na alma o essencial. Porque a leitura mostrou-lhe talentos, recursos. Motivou-o e fortaleceu-o. Quando abri os olhos, estava sentado no chão, cheio de almofadas e com os olhos postos em mim, agora surpreendentemente mais brilhantes e com um sorriso rasgado. Espontaneamente, demos finalmente um grande abraço, bem bem apertado!! Estava feliz. E eu, aliviada, pasmada e também, imensamente feliz. Esse foi o primeiro dia em que compreendi que a linguagem do inconsciente adapta-se facilmente a qualquer idade. Por isso aproxima-nos. Mais interessante foi, ter encontrado nele a criança que um dia fui. Tudo isto ficou naquele abraço que ambos levámos para a vida. Mais tarde soube do impacto que esta leitura teve nele. Uma criança que, com 10 anos, o presente que pede ao pai, de entre todas as opções, foi uma leitura da aura! Desde então, já fiz a muitas crianças da idade dele e adolescentes e dá-me sempre um prazer imenso. Também aquele rapaz me deu um presente no seu dia de anos: um caminho novo.